La estava eu, parado frente a um muro gigantesco. Eu não sabia
o que me esperava do outro lado, mas aquilo me atraia com tal força que eu não poderia
não pensar em atravessá-lo. Este muro era tão grande quanto minha sede de mudar
minha quase imperceptível existência.
Como ultrapassá-lo? Como eu poderia me tornar alguém se o desafio maior
estava diante dos meus olhos e eu não tinha nem ideia do que fazer? Percorri
seus extremos e notei que ele não era imponente somente por sua altura, mas também
por sua extensão.
Uma ideia me veio na cabeça e esta era tão atrativa quanto
um jogo suicida. Eu tinha certeza que este muro me machucaria, mas eu sabia
também que esta dor não se compararia às dores da minha caminhada até onde
havia chegado, as quais não ouso aqui citar.
Escalar! Esta era a ideia. Eu olhava este muro como quem olha
mil peças de quebra-cabeça espalhadas e desunidas pelo chão. Era um desafio,
uma tentativa única que eu não podia retroceder. Pus-me a escalar, segurando
pedra por pedra, calçando meus pés em cada brecha que encontrava e ia tirando
forças de um “eu” que até então estava adormecido. Quando estava próximo ao topo pude ouvir um
belo som que me fazia recordar o velho piano que meu pai tocava, unido ao som
de um instrumento de cordas desconhecido
mas que se igualavam com maestria numa sinfonia de coragem e impetuosidade. Pela
primeira vez em minha existência, no desconhecido eu me senti em casa. Ao
chegar no topo, pude ver o que me esperava do outro lado. Era um imenso vazio,
apenas com um céu azul-cintilante sem nuvens, e um sol laranja-fogo cautelosamente pintado
ao longe nessa imensidão.
Ao perceber que havia acabado de experimentar o insipido e
viciante gosto da liberdade me dei à surpresa de notar que estes sons que
ecoavam vinham de dentro de mim com uma melodia que dizia “Você venceu, hoje
você é alguém. Olhe para dentro de si, pois a liberdade é a essência de sua existência”.
Uma lágrima então escorreu em minha face e soltei minhas mãos esperando ir de encontro ao vazio sem me importar com a altura e com a queda. Ao sentir meu corpo
tocando o chão vi uma luz branca e forte. Fechei os olhos e lancei-me ao infinito, junto a uma porção de
estrelas e pude ouvir novamente aquela melodia: você venceu, hoje você é alguém.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirSimples lindo !!! Parabéns degustei e gostei da suas palavras....
ResponderExcluirReally good!
ResponderExcluirum texto com uma característica peculiar... simples nas palavras mas tocante como a brisa de outono...
Obrigado meus queridos!
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