domingo, 15 de julho de 2012

Sede por Liberdade


La estava eu, parado frente a um muro gigantesco. Eu não sabia o que me esperava do outro lado, mas aquilo me atraia com tal força que eu não poderia não pensar em atravessá-lo. Este muro era tão grande quanto minha sede de mudar minha quase imperceptível existência.  Como ultrapassá-lo? Como eu poderia me tornar alguém se o desafio maior estava diante dos meus olhos e eu não tinha nem ideia do que fazer? Percorri seus extremos e notei que ele não era imponente somente por sua altura, mas também por sua extensão.
Uma ideia me veio na cabeça e esta era tão atrativa quanto um jogo suicida. Eu tinha certeza que este muro me machucaria, mas eu sabia também que esta dor não se compararia às dores da minha caminhada até onde havia chegado, as quais não ouso aqui citar.
Escalar! Esta era a ideia. Eu olhava este muro como quem olha mil peças de quebra-cabeça espalhadas e desunidas pelo chão. Era um desafio, uma tentativa única que eu não podia retroceder. Pus-me a escalar, segurando pedra por pedra, calçando meus pés em cada brecha que encontrava e ia tirando forças de um “eu” que até então estava adormecido.  Quando estava próximo ao topo pude ouvir um belo som que me fazia recordar o velho piano que meu pai tocava, unido ao som de um instrumento  de cordas desconhecido mas que se igualavam com maestria numa sinfonia de coragem e impetuosidade. Pela primeira vez em minha existência, no desconhecido eu me senti em casa. Ao chegar no topo, pude ver o que me esperava do outro lado. Era um imenso vazio, apenas com um céu azul-cintilante sem nuvens,  e um sol laranja-fogo cautelosamente pintado ao longe nessa imensidão.
Ao perceber que havia acabado de experimentar o insipido e viciante gosto da liberdade me dei à surpresa de notar que estes sons que ecoavam vinham de dentro de mim com uma melodia que dizia “Você venceu, hoje você é alguém. Olhe para dentro de si, pois a liberdade é a essência de sua existência”. Uma lágrima então escorreu em minha face e soltei minhas mãos esperando ir de encontro ao vazio sem me importar com a altura e com a queda. Ao sentir meu corpo tocando o chão vi uma luz branca e forte. Fechei os olhos  e lancei-me ao infinito, junto a uma porção de estrelas e pude ouvir novamente aquela melodia: você venceu, hoje você é alguém.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Simples lindo !!! Parabéns degustei e gostei da suas palavras....

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  3. Really good!
    um texto com uma característica peculiar... simples nas palavras mas tocante como a brisa de outono...

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