sábado, 30 de abril de 2016

Olinad Olem

Uma tatuagem que se misturava a sua pele e seus ombros largos. Sua barba espetada e macia se juntavam majestosamente ao seu sorriso desajeitado. Seus olhos atentos e cerrados, suas mãos grandes, firmes e macias e seus lábios esculpidos e encapados com seda me deixavam ali paralisado. Nem preciso falar sobre seu gosto também. Cada milimetro do seu corpo era quente e me trazia a sensação de estar em casa. Eu sentia calma, paz e felicidade. Uma felicidade adormecida e já esquecida. Alguém já conseguiu explicar o inexplicável? As palavras já não faziam mais sentido pra mim. Eu o observava dias a fio em fotografias, mas nunca tinha sentido sua presença. Parecia um sonho tao distante, uma tentativa obviamente frustrada.  Aquele humano era como uma armadilha. Parecia meticulosamente fabricado para atrair inocentes tolos às suas águas aparentemente tranquilas. Em segundos eu me perdia em suas correntezas e de repente eu já o estava tocando outra vez. Seu cheiro ainda estava presente em mim. De todos os aromas, o da sua pele era o mais notado. Seu cheiro era a combustão que me fazia efervescer. Cada vez que lembrava de seu toque, da sua pele quente, do seu gosto que jamais saíra da minha boca, eu efervescia. Algo em mim crescia gradativamente até transbordar. Uma mistura de vicio e armadilha. Estar ao seu lado e não o tocar era quase um desafio. Ele me atraia de uma forma inexplicável. Era uma sensação que eu ainda não havia experimentado.  “Se eu falar bem devagar, se eu tentar de verdade, fazê-lo entender querido que você tem meu coração. Aqui vou eu te dizer aquilo que você já sabe. Eu farei de você uma estrela no meu universo. Você nunca terá de trabalhar. Você passará todos os dias iluminando meu caminho. Se eu falar bem devagar, se eu segurar a sua mão, se eu olhar bem perto, você poderá entender. Aqui vou eu e vou dizer aquilo que você já sabe..”

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